Open innovation amplia ambiente de transformação para empresas e mercado

O aumento da competição e da pressão pela incorporação rápida de novas tecnologias no desenvolvimento de produtos e serviços tem feito com que empresas habituadas a adotar modelos mais conservadores e tradicionais busquem soluções em modelos de atuação mais abertos e cooperativos.

Barreiras decorrentes de ambientes e modelos de negócio mais protecionistas, onde empresas buscavam blindar produtos, mercados, parceiros e canais, justificados no receio de perder vantagem competitiva ao compartilhar “propriedade intelectual” vêm sendo superados pelos benefícios que ambientes mais colaborativos proporcionam.

É aí que entra a inovação aberta (Open Innovation – OI), que está, no estabelecimento de conexões com agentes externos à empresa, em que as partes beneficiam-se da pluralidade de ideias, da diversidade de talentos e de diferentes fontes de recursos, inclusive financeiros.

O sucesso na utilização da inovação aberta, vem da experimentação do novo, respeitando o DNA e a cultura da empresa e, no caso de negócios mais tradicionais, a falta de confiança é superada pela adoção da governança adequada.

Como resultado, o compartilhamento de conhecimentos diversos entre empresas e atores externos, continua se fortalecendo como uma importante ferramenta capaz de trazer transformações e inovação aos negócios com maior consistência e velocidade, através da incorporação de tecnologia.

Empresas mais “experimentadas” no ecossistema de open innovation são mais ágeis para identificar boas ideias vindas de fora e para incorporá-las tanto em seus produtos quanto na melhoria dos processos internos da empresa, e, ao mesmo tempo, utilização esse canal para compartilhar ideias e tecnologias com parceiros, promovendo um ambiente propício à inovação e ao desenvolvimento dos mercados.

“As companhias usam inovação aberta como fonte complementar de conhecimento, ideias, recursos e tecnologias. Ao olhar para fora, verdades tidas como absolutas são revistas, paradigmas são rompidos e a renovação encontra espaço. Os aspectos culturais da empresa precisam ser respeitados, mas não podem impedir a experimentação”, afirma Gustavo Rotta, líder de Inovação da Deloitte. “Empresas de setores variados têm se voltado para esse conceito como uma forma de superar diferentes desafios de mercado e de P&D”.

No setor de telecomunicações, por exemplo, o open innovation tem sido usado por empresas para se posicionarem na liderança em novos mercados. Já na área de biofarmacêuticas, as organizações podem ter um desempenho melhor quando atuam de forma mais ampla dentro das muitas possibilidades trazidas por esse tipo de ambiente.

Transformação na gestão e modelo de negócios

Por suas características, operar em open innovation traz necessariamente um novo olhar sobre toda a cadeia de valor de um serviço ou produto, desde sua concepção e questões relacionadas à propriedade intelectual até a comercialização e pós-venda. Portanto, impacta diretamente na gestão e modelo de negócios.

De acordo com Bruno Rondani, CEO da plataforma 100 Open Startups, plataforma que engaja startups, empresas, executivos, cientistas e governos em torno de oportunidades de negócios, a geração de conhecimento é cada vez mais distribuída em todos os seus aspectos: nas diferentes regiões, nos diferentes tipos de atores como universidades, startups, médias e grandes empresas e comunidades de cocriação. “Transformar esse conhecimento em inovação exige, por sua vez e cada vez mais, a orquestração de diferentes atores e, portanto, novos métodos gerenciais e modelo de negócios”, afirma.

Universidades e startups trazem robustez e velocidade

Nesse cenário, universidades – vistas como celeiros de conhecimento – e startups – com sua rapidez em aplicar novas tecnologias em negócios e testar sua escalabilidade – têm se destacado como colaboradoras das empresas.

Tais parcerias têm sido encorajadas de diversas formas. Exemplos de práticas de open innovation incluem hackathons (e suas variações que contam com a criatividade - Inovathon, Robothon, etc), programas de incubação e aceleração de startups e canais para ouvir clientes, colaboradores e fornecedores.

No Brasil, o conceito de open innovation chegou há cerca de dez anos, inicialmente com a aproximação das corporações com as universidades, e logo também com o engajamento com as startups. “Hoje existe um nível de maturidade de open innovation nas universidades, empresas estabelecidas e startups no Brasil. O desafio atual é a integração dos modelos de financiamento à inovação”, afirma Rondani.

A cooperação em um ambiente mais aberto ao fluxo de ideias, recursos e tecnologias torna-se, assim, chave para a inovação para as empresas que desejam manter-se competitivas e com alto desempenho.

Fonte: Valor Econômico